QUEM MANDA?..

O Godoy Cruz conseguiu um feito histórico ao ser promovido ao escalão principal do campeonato argentino. No entanto, os seus "barras bravas" estragaram o dia da estreia, que devia ser de festa, provocando graves incidentes com a polícia e interrompendo o jogo contra o Arsenal de Belgrano que se disputava no estádio com o sugestivo nome de Malvinas Argentinas, devido à utilização de gás lacrimogéneo no exterior. Segundo contou o presidente do Godoy Cruz, os seus "barras bravas" fizeram exigências que depressa passaram a ser um acto de verdadeira chantagem, solicitando dinheiro, autocarros e ameaçando que iriam interromper o jogo contra o Arsenal. E cumpriram. "A polícia e a justiça têm de fazer alguma coisa", clamou um vice-presidente do Godoy Cruz. A claque organizada pretendia receber 40 mil pesos por mês (cerca de 10 mil euros) e ter direito a 10 autocarros para cada deslocação, para além de um determinado número de entradas de favor. Alguns jogadores também tomaram parte na polémica, com Juan Herbella ou José Manuel Llop, do Godoy Cruz, a denunciar algumas situações que vinham ocorrendo: "Em muitos clubes os plantéis dão dinheiro às 'hinchadas'. Mas uma coisa é que alguém queira colaborar, outra é que te exijam de forma violenta..."O que devia ter sido uma festa inesquecível para 15 mil pessoas que pela primeira vez viam um jogo deste nível na sua província, tornou-se um dia lamentável por culpa de cerca de 300 violentos. O presidente do clube, Mário Contreras, decidiu apresentar a sua demissão. É que nem um dispositivo policial impressionante, ao nível de um Boca-River, com mais de 600 agentes, com várias linhas de revista dos espectadores a grande distância do estádio, evitou os confrontos. A polícia usou gás lacrimogéneo e balas de borracha contra pedras e garrafas dos "barras bravas".Mesmo estando os incidentes a decorrer do lado de fora, o vento levou o gás para dentro do estádio e, aos cerca de 10m, começou a prever-se o pior. Aos 16m, um jogador ficou pelo chão com problemas respiratórios. O jogo foi interrompido com os disparos no exterior do estádio a servirem de pano de fundo sonoro. O balanço oficial aponta para 26 detidos e 35 polícias feridos. Em surdina, os jogadores disseram à comunicação social argentina que os "barras bravas" foram ao ponto de lhes exigir uma percentagem dos salários. Uma atitude mafiosa sem lugar, felizmente, na realidade Ultra europeia.
GM


0 Comments:
Enviar um comentário
<< Home